quinta-feira, 28 de março de 2013

Santo Scenarium recebe o evento gastronômico Babette, do Coletivo Gourmet



O filme “A festa de Babette” encanta entusiastas gourmet em todo o mundo desde o seu lançamento, em 1987. E é fruto desta inspiração que o Coletivo Gourmet traz o evento gastronômico ‘Babette’ para o restaurante Santo Scenarium, no Centro do Rio Antigo, no próximo dia 2 de abril. O tema desta edição é “O dia da mentira”.

Na mesa, nada de pratos franceses ou ingredientes raros. A ideia é explorar os sabores inusitados da culinária nacional. O couvert será um mousse de salaminho e caviar de limão servido com focaccia artesanal. A entrada e o prato principal terão iguarias como escondidinho de cará e camarões e fraldinha com gratin de baroa e pêra servido com salada surpresa. A sobremesa promete instigar: um falso ovo frio. O evento ainda contará com harmonização das cervejas Amstel Pulse, Edelweiss e Murphy´s Irish Stout, e azeites especiais. O Coletivo Gourmet é uma plataforma online que promove experiências e intercâmbios gastronômicos através de artigos, imagens, poesias e projetos assinados em parcerias.

De acordo com o idealizador do Coletivo Gourmet, Rodrigo Cotrim de Carvalho, os elementos da experiência narrada pelo filme estarão presentes à mesa. “Nosso objetivo é revelar sabores da nossa terra buscando um diálogo sensorial mais amplo. Por isso a parceria com o Santo Scenarium, que traduz a sacralidade presente no filme nos seus objetos e ambiente. Desejamos atualizar as referências de Babette, revelando elementos da nossa cultura que também nos são exóticos”, define.

A curadoria gastronômica é assinada pela Estilo Gourmet (Marcelo e Cristina Scofano). Haverá apresentação do contador de histórias Cadu Cinelli (Os Tapetes Contadores de Histórias) e de Gretel Paganini (Violoncelo). A chef Ana Salles assinará a primeira edição. Babette acontecerá bimestralmente, em apenas quatro edições exclusivas por ano.

Os ingressos estão à venda no site http://www.coletivogourmet.com.br.
Serviço:
Babette, um jantar espetáculo em homenagem ao dia da mentira 
Data: 
2 de abril (terça-feira)
Horário: 19h30
Local: Santo Scenarium. Rua do Lavradio, 36
Reservas: Inscrições e reservas no site 
http://www.coletivogourmet.com.br.
Valor: Individual, R$ 175. Duplo, R$ 300

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"Não era aqui o Odeon": Grappelli no Rio de Janeiro parte 1

Por José Domingos Raffaelli

Esta historinha foi-me contada pelo saudoso violinista francês Stéphane Grappelli quando tocou aqui no Free Jazz Festival de 1988.

Durante a entrevista coletiva para a imprensa, como era praxe no Free Jazz Festival, o violinista Stéphane Grappelli disse aos presentes que - para surpresa de todos - era a segunda vinda dele ao Rio de Janeiro, pois aqui tocara em 1931 na orquestra do maestro Ray Ventura que aqui viera tocar por ocasião da inauguração do Cinema Odeon (na Cinelândia).


Passada a surpresa geral, Grappelli disse que desejava muito ir ao Cinema Odeon para recordar aquela viagem ao Rio, perguntando à intérprete se havia possibilidade de alguém da produção do festival levá-lo lá. A intérprete respondeu que não sabia, pois teria de consultar a direção do festival. A essa altura, antecedendo a possibilidade de um papo pessoalmente com Grappelli, levantei o braço oferecendo-me levá-lo lá, pois na época eu tinha um fusquinha. Sorridente, ele agradeceu-me e perguntou se poderia ser na manhã seguinte, ao que respondi sim.

Dia seguinte apanhei-o no Hotel Meridien e fomos para a Cinelândia. Naquela época era permitido estacionar na Cinelândia (hoje é proibido) e parei quase junto à esquina onde está o Odeon. Ao saltar do carro, Grappelli olhou demoradamente em volta parecendo que tentava relembrar os velhos tempos, apesar da enorme marquise do cinema ter o nome Odeon em letras quase garrafais.


Após uma demorada tentativa parecendo querer lembrar de alguma coisa, ele disse-me: "Não, não era aqui o cinema Odeon", ao que respondi: "É sim, sempre foi aqui", mas ele estava irredutível e voltou a dizer: "Tenho certeza que não era aqui", ao que retruquei: "Porque tem tanta certeza", e ele então esclareceu tudo: "Sei que não era aqui porque nos intervalos eu e outros músicos vinhamos aqui fora fumar sentados numa parede onde as ondas do mar batiam...." - Aí dei uma gargalhada e lembrei a razão dele duvidar do local onde estava o Odeon. Porque, simplesmente, a tal parede existia ANTES DE FAZEREM O ATERRO que depois estendeu-se até aquele limite onde havia o paredão. 




Expliquei a ele a mudança que houve no local e ele até riu porque deliciava-se com as ondas do mar batendo no tal paredão, dizendo que era um lugar sossegado e poético que o levava a divagações sobre a vida, a música e a família.


José Domingos Raffaelli é jornalista especializado em jazz,
crítico musical, radialista, escritor e produtor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Jazzmen que se converteram à religião muçulmana


Houve uma época nos anos 40 na qual, para surpresa de inúmeros jazzófilos e pessoas ligadas ao jazz sem serem músicos, que, por alguma razão jamais esclarecida, subitamente houve uma conversão maciça de músicos de jazz à religião muçulmana sendo batizados com nomes da sua nova crença. Embora isso não tenha alterado em nada suas carreiras profissionais, mais por mera curiosidade e a pedido de um amigo meu, elaborei uma relação de alguns nomes muçulmanos daqueles que adotaram sua nova opção religiosa.

* Orlando Wright (sax barítono) – Musa Kaleem
* Edmond Gregory (saxes alto e baritono) – Sahib Shihab
* Kenny Clarke (bateria) – Liaquat Ali Salaham
* Art Blakey (bateria) – Abdulla Ibn Buhaina
* Gigi Gryce (sax alto & flauta) – Basheer Qusim
* George Joyner (contrabaixo) – Jamil Nasser
* Fritz Jones (piano) – Ahmad Jamal
* Leonard Graham (trompete) – Idriss Sulieman
* Robert Patterson (trompete) – Rashid Ali
* Charlie Sulieman (trompete) – Kamau Adilifu
* Jaki Byard (piano) – Jamil Bashir
* Curtis Porter (saxes alto & tenor) – Shafi Hadi
* Argonne Thornton (piano) – Sadik Hakim
* Maurice McIntyre (saxes) – Kalaparusha Ahra Difda
* William Evans (saxes e flauta) – Yusef Lateef
* Spaulding Givens (piano) – Nadi Qamar
* Leo Morris (bateria) – Idriss Muhammad
* McCoy Tyner (piano) – Sulaimon Saud
* Jackie McLean (sax alto) – Omar Ahmed Abdul Kareem
* Dollar Brand (piano) – Abdulla Ibrahim        
* Walter Bishop Jr. (piano) – Ibrahim Ibn Ismail

por José Domingos Raffaelli 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Jazz em tempos de guerra

O conflito entre Estados Unidos e Iraque de alguns anos lembrou-me um episódio emocionante ocorrido no campo de batalha da Segunda Guerra Mundial, que alguns historiadores garantem ser verdadeiro. O relato que se segue é uma prova de que o jazz só faz amigos.

Americanos e alemães fizeram uma trégua entre o Natal de 1944 e o Ano Novo de 1945. No primeiro dia, alguns soldados americanos aproveitaram o cessar-fogo temporário para ouvir discos de jazz numa vitrolinha portátil movida por uma manivela que acionava o motor.

No dia seguinte, um soldado alemão caminhou rumo à trincheira americana empunhando uma enorme bandeira branca. Recebido inicialmente com muita desconfiança e falando inglês razoavelmente, o alemão disse que no silêncio da noite anterior ouvira o som da alguns discos de jazz que vinha da trincheira americana. Identificando-se como pianista de jazz, pediu licença para juntar-se a eles a fim de compartilhar a audição da música que ele mais amava, no que foi prontamente atendido.

Depois das primeiras palavras, os americanos revistaram-no, certificando-se de que o propósito do alemão era realmente juntar-se a eles para ouvir jazz. Após a autorização do comandante para o alemão integrar-se a eles, o gelo inicial dos americanos deu lugar à cordialidade, passando o resto do dia ouvindo os V-Discs que o governo americano prensava especialmente para os soldados no campo de batalha. Fascinado, o alemão ouviu gravações que nem supunha existirem, inclusive fazendo comentários pertinentes sobre a música. No fim da tarde, ele voltou para sua trincheira, não sem antes pedir licença para retornar no dia seguinte, sendo prontamente atendido.


Nos dias subseqüentes, como velhos conhecidos, os americanos e o alemão continuaram a audição de discos e a camaradagem entre eles aumentava à medida em que a música rolava. Aqueles dias de trégua foram abençoados, fazendo-os esquecer momentaneamente os horrores da guerra ouvindo Duke Ellington, Count Basie, Eddie Condon, Frank Sinatra, Bing Crosby, Les Brown, Teddy Wilson, Benny Goodman, Tommy Dorsey, Ella Mae Morse, Benny Carter, Joe Bushkin, Bunny Berigan, Harry James, Teddy Powell, Woody Herman, Ella Fitzgerald, Coleman Hawkins, Lester Young, Jimmy Dorsey, Perry Como, Nat King Cole e tantos outros. As conversas eram animadas, comentavam as músicas em seus mínimos detalhes, trocavam idéias e opiniões, brotando uma sincera amizade entre eles, protagonistas de uma guerra estúpida que o destino colocou-os como inimigos.


Essa confraternização prolongou-se por toda a trégua, terminando ao entardecer do dia de Ano Novo de 1945, porque as hostilidades recomeçariam na manhã seguinte. Segundo os relatos, a despedida foi comovente. Todos se abraçaram formando um círculo. Chorando emocionados, despediram-se como velhos amigos, prometendo que depois da guerra se encontrariam para festejarem a paz e ouvirem muitos discos de jazz.

O relato não esclareceu se o encontro pós-guerra foi realizado, porém deixou a certeza, mais uma vez, se ainda fosse necessário, que o jazz realmente só faz amigos.



por José Domingos Raffaelli

domingo, 2 de setembro de 2012

Piano Sessions

 A novidade do Santo Scenarium são as terças de Piano Sessions em setembro e outubro.

Os pianistas Danilo Andrade, Adaury Junior e Dudu Viana se revezam nas terças-feiras para animar o happy hour da casa (de 18:30 às 21:10)!!

 A ideia é resgatar a cultura do piano no Rio de Janeiro que já foi chamado pelo pintor e caricaturista Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) de “a cidade dos pianos”.  Outra notícia boa é que é de graça, não cobraremos couvert artístico dos clientes.

Segue a programação


4/9         Danilo Andrade
11/9       Adaury Junior
18/9       Danilo Andrade
25/9       Danilo Andrade

2/10       Adaury Junior
9/10       Dudu Viana
16/10    Adaury Junior
23/10    Adaury Junior
30/10    Dudu Viana




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Degustação de vinho no Santo Scenarium`

No dia 21 de agosto o Coletivo Gourmet promove no Santo Scenarium a desgustação de vinhos franceses. Os vinhos são Château la Grande Métairie 2010, Château Rocher Figeac - Saint-Émilion 2009 e Château de la Croix Crus Bourgeois 2007.

Para o jantar tem o Château Rocbonnière 2009 que harmoniza com o risoto de shimeji, funghi e shitake. Outra opção é o risoto de queijo.


A degustação é elaborada por Joseph Morgan Jr (Le Conseil Interprofessionnel du Vin de Bordeaux). A inscrição deve ser feita pelo site.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Curiosidades do Jazz: A incrível história de Leadbelly

Huddie William Leadbelly, ou Leadbetter, foi um ícone para músicos da importância de Eric Clepton, Bob Dylan, Janis Joplin, Kurt Cobain, Wood Guthrie, entre outros, que sempre se referiam a ele como principal influência musical em suas carreiras e que o consideravam um pioneiro do Rock.

A sua especialidade era o Blues Rural e a Folk Music, que aprendeu na infância. O seu repertório também incluia o Country Blues, Work Songs, Folk Songs, Gospel Music, etc.

Nascido em 1889, segundo alguns registros foi em 1888, ele começou a cantar e a tocar o seu violão de 12 cordas em 1903, perambulando pelo Estado da Louisiana onde nasceu até que, devido ao seu temperamento explosivo, a sua vida seguiria rumos tortuosos e dramáticos.

Em 1915, foi preso pela primeira vez, por porte ilegal de arma. Fugiu da prisão e tornou-se andarilho na região da Louisiana e do Texas.

No ano de 1918 foi preso pela segunda vez, acusado de matar o seu primo numa briga por causa de uma mulher. Cumpriu pena na Penitenciária do Texas e foi solto em 1925, ao apelar ao Governador, no que foi atendido por seu bom comportamento e após cumprir boa parte da pena.


Em 1930, Leadbelly é novamente preso acusado de tentativa de homicídio por esfaquear seis homens durante uma briga de bar. Condenado a 25 anos, vai para a Prisão Fazenda Angola, na Louisiana. Aí acontece uma grande virada na sua tumultuosa vida.


Em 1933, dois pesquisadores de música folclórica americana, John Lomax e Alan Lomax, pai e filho, visitam a prisão para documentar as músicas de trabalho cantadas pelos prisioneiros, e se deparam espantados com Leadbelly.

A sua figura imponente, os cabelos totalmente brancos, tocando um violão de 12 cordas, a poderosa voz de tenor entoando canções de trabalho para incentivar os prisoneiros, causaram um impacto entre os dois mestres folcloristas, alí estava um personagem vivo que sabia tudo sobre a folk song americana.

Munidos de um equipamento portátil eles gravaram centenas de blues e canções folclóricas do inesgotável repertório que Leadbelly lhes cantava. Todo esse material foi produzido para a Bliblioteca do Congresso Americano, onde está até hoje.

Penalizados com a situação de Leadbelly, John Lomax encaminhou uma petição ao Governador da Louisiana solicitando a imediata libertação de Leadbelly, sob a condição de que ele ficaria sob a custódia dos dois pesquisadores.

Para reforçar o pedido, eles gravaram um disco na prisão, em que numa das faces, Leadbelly lê uma carta pedindo o perdão do Estado e no outro lado, ele canta a sua comovente composição, Godnight Irene.

O Governador atendeu ao apelo, inclusive pelo bom comportamento de Leadbelly e por já ter cumprido uma parte de sua pena.
A partir daí, os dois pesquisadores organizaram inúmeras apresentações de Leadbelly nas Universidades Americanas, Teatros das grandes capitais, programas de rádio e até na televisão. Os americanos descobriram Leadbelly, que obteve um espantoso sucesso. Em 1949 ele fez a sua primeira apresentação na Europa, em Paris, onde obteve uma consagração.

Ao voltar ao EUA, faleceu com 61 anos de idade, encerrando uma incrível história de vida.

Fernando Murta