domingo, 27 de março de 2011

Dennis Lichtman

Conte um pouco da sua trajetória como músico

Nasci em Boston, uma cidade que valoriza as artes e as acha muito importantes. Minha vida musical começou quando eu tinha cinco anos e minha escola oferecia aulas de violino. Eu comecei a tocar e gostei. Três anos depois, meus pais me perguntaram se eu queria tentar tocar um outro instrumento e eu escolhi o clarinete. Eles achavam que eu fosse tocar apenas um instrumento... 22 anos depois, ainda não escolhi!



Apesar de apenas estudar música clássica, escutava rock, blues, jazz, tudo, e com quinze anos comprei uma guitarra. Pouco depois, um bandolim. Aprendi a improvisar e tocar gêneros não-clássicos sozinho. Estudei clarinete na Hartt School of Music (música clássica), mas durante meus estudos eu me interessava cada vez mais por música folclórica. Eu também tocava em bandas de rock, jazz, e bluegrass (um estilo americano tipo country, muito animado com bandolim, violino, banjo, baixo, e violão). Depois da universidade, me mudei de Boston para Nova Iorque, onde minha carreira como músico profissional começou.



Agora, tenho bastante trabalho tocando os três instrumentos em festivais, casas noturnas, e fazendo gravações em Nova Iorque, pelos EUA e em outros países. Na semana passada, lancei um novo disco chamado “Dennis Lichtman’s Brain Cloud,” de minha banda de western swing. Este trabalho é uma mistura de jazz antigo com country além de outras músicas de raízes americanas.



Toco bastante jazz dos anos 20 até os anos 40 no clarinete e também sou líder da única roda de jazz antigo da cidade que se reune toda terça-feira. Além disso, toco violino numa banda chamada Nation Beat, que mistura músicas raízes do sul dos Estados Unidos e do nordeste do Brasil.

O começo da paixão pelo choro.

Quando eu tinha uns 17 anos, ouvi uma gravação de Assanhado, do Jacob do Bandolim. Naquele tempo, qualquer estilo de música que incluísse bandolim ou clarinete (ou ambos) me interessava. Nunca tinha ouvido nada parecido ao som do Jacob! Anos depois, conheci Billy Newman, um violonista de Nova Iorque apaixonado pelo choro, e nos tornamos grandes amigos. Durante anos, tocávamos choro juntos toda semana. Ele me trouxe para o Rio pela primeira vez em 2007 e me apresentou a Rogério Souza, Ronaldo do Bandolim e outras figuras importantes da cena do choro no Rio. Fiquei viciado!


O choro também tem muitas similaridades com meu estilo preferido de jazz... choro é como dixieland brasileiro!

Aprender a tocar choro é um grande desafio para qualquer músico, especialmente um que não é brasileiro. As melodias, a harmonia, e sobretudo os ritmos são muito complicados, mas são muito lindos também. Aprender e tocar essa música é um divertimento, e também me ajuda a ser um músico melhor.

As principais semelhanças entre a música norte americana e a brasileira.

Choro tem as mesmas raízes européias e africanas do que jazz antigo (ragtime e dixieland), e as duas músicas evoluiram ao mesmo tempo no Rio de Janeiro e em New Orleans. As similaridades entre eles me interessam – as melodias, a harmonia, e o sentido de improvisação coletivo. Claro que tem grandes diferenças também, principalmente em relação aos ritmos e instrumentos.




No nordeste, forró tem uma conexão similar com música cajun (uma música mais rústica de Louisiana, perto de New Orleans). Em ambos os casos, foi a mistura de harmonia e instrumentos européus com ritmos e instrumentos de percussão africanos que criou um som novo.

Sua opinião sobre o cenário do choro no Brasil.

Para mim, é incrível! Não tem muita gente que toca choro nos EUA, nem lugares pra escutar ou tocar este som. No Brasil, o nível de talento, e o ritmo no sangue do povo são maravilhosos. Então, viajar para o Brasil, escutar choro e tocar com músicos brasileiros é uma grande inspiração.



Os planos para o futuro.

Neste ano, pretendo compor e arranjar músicas para o segundo disco da minha banda “The Brain Cloud.” Também vou gravar com o Nation Beat e faremos uma turnê de lançamento do novo disco. Vou continuar minhas relações com músicos no Brasil e em New Orleans e no futuro quero gravar um disco que irá explorar as semelhanças entre choro e jazz antigo.

Em abril Dennis Lichtman vai participar da roda de choro.

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